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Archive for the ‘cuba’ Category

VEJA dedica cinco páginas al cáncer de Chávez

Posted by Ricardo en 20 noviembre 2011 09:54

Veja: Error de médicos cubanos agravó condición de Chávez. Original en http://t.co/nONh8LRq .

Posted in chavez, cuba, lula, medios internacionales, venezuela | Comentarios desactivados en VEJA dedica cinco páginas al cáncer de Chávez

Veja entrevista a Yoani Sánchez

Posted by Ricardo en 4 octubre 2009 09:13

As três mentiras de Cuba

A blogueira cubana diz que as chamadas “conquistas da revolução” são um
mito e que só quem nunca morou na ilha pode ter admiração por seu regime

Por Duda Teixeira

Alejandro Ernesto/EFE
“Convido quem vê Cuba como um exemplo a vir para cá, sentir na pele como vivemos”

A cubana Yoani Sánchez, 34 anos, foi convidada a falar no Senado brasileiro e a comparecer ao lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho (Contexto), em São Paulo. A obra, que chega às livrarias neste fim de semana, é uma coletânea de textos publicados por ela no blog Generación Y, o primeiro a ser criado em Cuba. Na internet, Yoani discorre livremente sobre o cotidiano do povo cubano, a ausência de liberdade e a escassez de gêneros de primeira necessidade – mas, bloqueado pelo governo, seu blog (desdecuba.com/generaciony) só pode ser acessado fora da ilha. Sua vinda ao Brasil, na segunda quinzena de outubro, depende de improvável permissão do governo cubano. Nos últimos doze meses, ela solicitou visto de saída em dez ocasiões para atender a convites no exterior. O visto foi negado em três delas. Nas demais, os trâmites burocráticos demoraram tanto que ela desistiu. Com 1,64 metro e 49 quilos, Yoani é formada em letras e vive em Havana com o filho e o marido. Ela conversou com VEJA pelo celular.

Em discurso a respeito do seu pedido de visto, o senador Eduardo Suplicy citou o que considera três conquistas da revolução cubana: a alfabetização, o aumento da expectativa de vida e a medicina de qualidade. Se pudesse, o que você diria sobre isso em Brasília?
Eu diria que os laços entre países não devem ocorrer apenas entre governantes ou diplomatas. Quando se trata de Cuba, as estatísticas oficiais divulgadas pelas nossas embaixadas não podem ser levadas a sério. Sou defensora da diplomacia popular, aquela que se inteira da realidade diretamente com o cidadão. Não sou uma analista política. Não sou especialista em nenhum tema. Não sou diplomata. Simplesmente vivo e conheço a realidade do meu país. Aqueles que roubam o estado, que recebem dinheiro enviado por parentes do exterior ou fazem trabalhos ilegais vivem melhor que os demais. Uma pessoa que escreve em um blog pode ser condenada sob a acusação de fazer propaganda inimiga. Os outros países não podem repercutir o clichê de que Cuba é uma ilha de música e rum. É preciso olhar para o cidadão. Aqui, nós vivemos e morremos todos os dias.

“Sou totalmente contra o embargo. Não porque ache que as coisas seriam muito diferentes se ele deixasse de existir, e sim porque seu fim acabaria com o argumento oficial de que vivemos em uma praça sitiada e, por causa disso, o povo deve aceitar as mazelas cubanas”


Mas é verdade que 99,8% da população
cubana é alfabetizada?
Antes da revolução, nosso país já ostentava um dos menores índices de analfabetismo da América Latina. Uma das primeiras ações do governo autoritário de Fidel Castro foi ensinar o restante da população a ler e escrever. A questão principal hoje não é a taxa de alfabetização, e sim o que vamos ler depois que aprendemos. A censura controla totalmente o que passa diante de nossos olhos. E isso começa muito cedo. As cartilhas usadas na alfabetização só falam da guerrilha em Sierra Maestra ou do assalto ao quartel de Moncada pelos guerrilheiros barbudos. Meu filho tem 14 anos. Na sala de aula dele há seis fotos de Fidel Castro. Tudo o que se ensina nas escolas é o marxismo, o leninismo, essas coisas. Não se sabe o que acontece no resto do mundo. A primeira vez que vi imagens da queda do Muro de Berlim foi em 1999, dez anos depois de ela ter ocorrido. Foi num videocassete que um amigo trouxe clandestinamente. Para assistir às imagens do homem pisando na Lua, foi necessário esperar vinte anos.

A expectativa de vida realmente aumentou?
É uma estatística oficial, sem comprovação, que não resistiria a um questionamento mínimo feito por uma imprensa livre. Pelo que vejo nas ruas, é difícil acreditar que os cubanos possam sobreviver tantos anos. Os idosos estão em estado deplorável. Há uma avalanche de dados que poderiam ilustrar o que digo, mas estes nunca são divulgados. Jamais fomos informados sobre o número de pessoas que fogem da ilha a cada ano. Ninguém sabe qual é o índice de abortos, talvez o mais alto da América Latina. Os divórcios são inúmeros, motivados pelas carências habitacionais. Como há cinquenta anos quase não se constroem casas, é normal que três gerações de cubanos dividam uma mesma residência, o que acaba com a privacidade de qualquer casal. Também nunca se falou do número de suicídios, um dos mais altos do mundo.

Cuba tem mesmo uma medicina avançada?
O país construiu hospitais e formou médicos de boa qualidade na época em que recebia petróleo e subsídios soviéticos. Com o fim da União Soviética, tudo isso acabou. O salário mensal de um cirurgião não passa de 60 reais. A profissão de médico é hoje a que menos pode garantir uma vida decente e cômoda. A carência nos hospitais é trágica. Quando um doente é internado, todos os seus familiares migram para o hospital. Precisam levar tudo: roupa de cama, ventilador, balde para dar banho no paciente e descarregar a privada, travesseiro, toalha, desinfetante para limpar o banheiro e inseticida para as baratas. Eles não devem esquecer também os remédios, a gaze, o algodão e, dependendo do caso, a agulha e o fio de sutura.

Por que o modelo cubano continua sendo admirado na América Latina?
Cuba só é reverenciada por quem nunca morou aqui. Eu já conheci um montão de gente que idolatrava Fidel e, depois de um mês vivendo conosco, mudou de opinião. Quando as pessoas descobrem como é receber em moeda sem valor, enfrentar as filas de racionamento ou depender do precário transporte público, começam a pensar de modo mais realista. Não estou falando dos turistas que ficam uma semana, dormem em hotéis cinco-estrelas e andam em carros alugados. Convido quem vê Cuba como um exemplo a vir para cá, sentir na pele como vivemos.

Como o governo tem reagido a seu blog?
O portal Desdecuba.com, em que o site está hospedado, está bloqueado há mais de um ano para quem tenta acessá-lo de Cuba. Há algumas semanas, cancelaram o site Voces Cubanas, que possuía vários diários virtuais, incluindo uma cópia do meu. O governo também se esforça para me transformar em uma pessoa radioativa. Membros da polícia política me vigiam todo o tempo e dizem a meus vizinhos, amigos e parentes que sou perigosa. Falam que quero destruir o sistema e sou uma mercenária do império. Em um país onde todo mundo trabalha para o estado ou depende da ajuda do governo, esse método surte efeito. Muita gente já se afastou de mim. Alguns nem me telefonam. É uma luta desigual. Todo o poder de um estado recai sobre mim. Até minha mãe tem sido vítima dessa campanha atemorizante. Eles a pressionam no trabalho. Ameaçam tirar seu emprego. Ela não faz nada especial, que possa desestabilizá-los. Não tem blog. Não é jornalista.

Qual é o trabalho de sua mãe?
Ela preenche formulários em um ponto de táxi.

Como os cubanos veem Hugo Chávez, hoje o maior benfeitor do regime comunista?
Hugo Chávez é o grande responsável pela perpetuação do regime cubano. Cuba seria hoje muito diferente sem esse aporte de petróleo e de dinheiro da Venezuela. O que me preocupa é o componente de autoritarismo e de messianismo de governos como os da Venezuela, Bolívia e Equador. Chávez reprime brutalmente a liberdade de expressão, e temo que os outros sigam essa abordagem, de cujas consequências parecem não ter a menor ideia. Em lugar da linha de Chávez, Evo Morales ou Rafael Correa, prefiro a da chilena Michelle Bachelet e a de Lula. Eles perseguem mudanças menos traumáticas e não criam conflitos viscerais entre grupos sociais.

O presidente Lula tem condenado com insistência o embargo comercial americano a Cuba. O que você acha disso?
Se o objetivo do embargo era enfraquecer a ditadura, não funcionou. Essa política não afeta os governantes, que continuam vivendo muito bem e importando os produtos que desejam. Tampouco se plantou na ilha uma semente de insatisfação capaz de desestabilizar o governo. A maior parte das pessoas que eram contra o regime já escapou da ilha. Acima de tudo, o embargo tem sido o maior pretexto do governo cubano para justificar o descalabro econômico no país. Diante de cada coisa que não funciona, o partido comunista diz que a culpa é dos americanos. Sou totalmente contra o embargo. Não porque ache que as coisas seriam muito diferentes se ele deixasse de existir, e sim porque seu fim eliminaria o argumento oficial de que estamos em uma praça sitiada e, por causa disso, o povo deve aceitar as mazelas cubanas.

Você acha possível que um dia Cuba libere a viagem de cubanos ao exterior?
Tenho escutado esses boatos, mas é improvável que isso ocorra. O controle de entrada e saída é talvez a mais importante arma do governo para manter a fidelidade ideológica. Imagine o que pensaria meu vizinho, um militante do partido que ganha em moeda nacional, se eu fosse ao Brasil, conhecesse várias cidades e voltasse cheia de histórias para contar sobre o que vi e comi. Seria um golpe muito forte no estado. No mais, essa questão é antiga. Eu até coloquei no blog uma foto de uma revista espanhola de 1991 na qual uma autoridade cubana fala da iminência da liberação das viagens. Já se passaram dezoito anos desde então, e nada mudou.

“Vivo o dilema da mãe cubana: manter o filho aqui mesmo sabendo que um dia ele terá problemas com o governo ou deixá-lo ir embora para realizar seus sonhos. Eu ficaria feliz se Teo não precisasse sair, mas creio que ele será um emigrante”


Caso consiga permissão para vir ao Brasil, você pensaria em ficar e trabalhar aqui?
Não tenho esse plano. A matéria-prima do meu trabalho é a realidade cubana. Não quero e não posso ficar longe das minhas histórias. Se pudesse viajar, eu certamente o faria, mas não seria apenas para o Brasil. Tenho de passar nos Estados Unidos e na Espanha para receber os prêmios que ganhei. Talvez desse um pulo à Alemanha e à Suíça. E só. Faz tempo que aprendi que a vida para mim não está em outro lugar a não ser em Cuba. Para o meu país eu voltarei sempre.

Raúl tem 78 anos e Fidel está à beira da morte. Quem vai assumir o poder em Cuba quando eles forem embora?
Os futuros governantes de Cuba serão pessoas comuns, que não conhecemos. Não mostram publicamente suas ideias reformistas por medo de que aconteça a elas o mesmo que ocorreu com Carlos Lage, o médico que era vice-presidente e foi condenado ao ostracismo. Quando a velha-guarda deixar o poder, muita gente carismática e talentosa sairá das sombras. Será como na União Soviética. Até assumir a Presidência, Mikhail Gorbachev tinha uma trajetória cinza. Era um funcionário a mais, fiel ao partido. No Kremlin, destacou-se como um transformador.

Seu filho completou 14 anos. Qual é o futuro que o espera?
Teo é um garoto inquieto. Foi criado em clima de tolerância e liberdade. Ele terá muita dificuldade se Cuba continuar assim. Cedo ou tarde, vai esbarrar nesse muro e pensará em sair. Isso me dói muito. Vivo o dilema da mãe cubana: manter o filho aqui mesmo sabendo que um dia ele terá problemas com o governo ou deixá-lo ir embora para realizar seus sonhos. Eu ficaria feliz se Teo não precisasse sair, mas creio que ele será um emigrante.

Como é a situação econômica atual comparada à grande crise ocorrida quando Cuba perdeu a mesada da União Soviética?
A crise contemporânea ainda não se compara com a dos anos 90. Naquele tempo meus pais me mandavam ir dormir mais cedo porque não tínhamos o que comer. Minha magreza é, em parte, uma sequela daquele período de fome. Hoje certamente há uma recaída econômica muito forte. A produção nacional é ínfima e obriga Cuba a importar 80% dos alimentos que consome. O problema é que o país não tem liquidez para comprar no exterior. A queda, contudo, está sendo amortecida pelo turismo, pelo dinheiro enviado por cubanos do exterior e pela possibilidade de exercer uma profissão ilegal.

A liberação de viagens de americanos para a ilha já mudou alguma coisa?
Essa foi uma notícia magnífica para os cubanos, que agora podem reencontrar seus parentes. Essas visitas ajudam também com palavras de estímulo, dinheiro e produtos básicos. Lamentavelmente, nunca fomos tão dependentes dos Estados Unidos.

Posted in cuba | Etiquetado: | Comentarios desactivados en Veja entrevista a Yoani Sánchez

Humberto Fontova em português

Posted by Ricardo en 2 junio 2009 18:08

Falantes exclusivos da inculta e bela não precisam esperar mais para ler um dos melhores trabalhos do cubano-americano Humberto Fontova. Chegou ao Brasil o livro “O Verdadeiro [c]he [g]uevara – e os idiotas úteis que o idolatram“. Trata-se da descrição detalhada -e verdadeira- daquele que os idiotas consideram um modelo a seguir, o porco fedorento e assassino da prisão de La Cabaña, Ernesto Guevara.

A versão brasileira ainda inclui o DVD ‘Anatomia de Um Mito”. Está esperando o que para comprar?

Posted in cuba | Etiquetado: , , | 2 Comments »

Veja: El futuro sin fidel

Posted by Ricardo en 23 febrero 2008 10:19

Um país de muito passado agora tem algum futuro

O ditador entrega o comando direto do país ao irmão, abre
caminho para mudanças, mas fica ainda como um fantasma
assombrando o povo e preservando sua tenebrosa herança


Diogo Schelp

Reuters
Fidel Castro

VEJA TAMBÉM
Nesta reportagem
Artigo – Reinaldo Azevedo: Fidel e o golpe da revolução operada por outros meios
Exclusivo on-line
Perguntas e respostas: Cuba sem Fidel

Em 1953, levado a julgamento pelo crime de ter enviado seus primeiros seguidores para um ataque suicida a um quartel, o jovem advogado Fidel Castro Ruz assumiu a própria defesa e o fez de forma magnífica. Antecipando a retórica magnética, grandiosa, arrogante mas farsesca que o caracterizaria pelo resto da vida política, disse aos juízes: “A história me absolverá”. Passou-se mais de meio século e, aos 81 anos, conceda-se, Fidel está diante do tribunal da história. Visto o sofrimento que infligiu ao povo durante 49 anos como senhor absoluto de Cuba, a absolvição está fora de cogitação. Cabe recurso? Não dá mais tempo. Fidel está em fase terminal de uma grave doença e, na semana passada, anunciou que não mais concorreria à eleição indireta que escolhe o presidente e o comandante-em-chefe das Forças Armadas.

Seus apaniguados viram o gesto como prova de desprendimento do comandante e evidência de modéstia e renúncia pessoal em benefício da pátria. Tudo encenação. Nem que quisesse, a saúde debilitada e a velhice lhe permitiriam candidatar-se a algo mais do que uma vaga no jazigo dos heróis na Praça da Revolução. Diante de uma impossibilidade finge que está por cima. Vintage Fidel. Clássico Fidel. Vai anunciar o corte da cota de leite para a população adulta de Havana? Diga à multidão que não faltará leite para as crianças. Vai ter de recuar, desmontar os mísseis atômicos soviéticos e devolvê-los a Moscou? Diga que Cuba é soberana e pode ter as armas que quiser: “Os mísseis se vão. Mas ficam todas as demais armas” – como se isso fosse algum consolo. Mas as massas vão acreditar. Foi pego exportando terroristas para insuflar a subversão em outros países? Diga que, se quisesse mesmo fazer terrorismo, Cuba produziria “excelentes terroristas, e não esses incompetentes que foram presos”. Está difícil explicar a miséria franciscana da economia cubana? Diga que quem está mal são os Estados Unidos (“os ianques estão falidos”), o Japão (“tenho pena dos japoneses”) e a Europa (“o velho continente está esgotado”). Está prestes a morrer, não consegue caminhar nem discursar? Diga que vai apenas mudar de posto, mas que o combate continua.

Reuters
DAVI E GOLIAS
Enquanto Fidel reinou, os Estados Unidos tiveram dez presidentes. O clima de confronto com o vizinho poderoso fortaleceu o poder do ditador, que pode posar de Davi na luta contra Golias. Fidel em piscina em visita à Romênia, em 1972, e, abaixo, americanos assistem a discurso de Kennedy durante a crise dos mísseis, em 1962
Time & Life Pictures/Getty Images

Todo político tem de ser bom mentiroso. Para ser Fidel é preciso, no entanto, ser um grande farsante. Ele é um dos maiores que a história conheceu. É presidente de uma nação paupérrima, mas vive como um cônsul romano que come lagostas quase todos os dias? Negue: “Temos as lagostas mais doces do Caribe, mas não as comemos. Trocamos por leite para as crianças”. Vive cercado de um aparato de segurança que parece um bunker ambulante? Invente que é um homem simples que às vezes anda só pelas ruas, como um filósofo peripatético absorto em uma paisagem idílica: “Outro dia, no México, ia só pela rua, só como uma pomba…”.

Desde os primeiros momentos da revolução que o levou ao poder, em janeiro de 1959, Fidel mostrou a utilidade política de um grande fingidor. Quando começaram os julgamentos sumários com o objetivo de criar um clima de terror e matar os inimigos, e até alguns amigos políticos, Fidel não aparecia como carrasco (esse era o papel do argentino Che Guevara) nem como juiz. Fingia não se envolver. Em uma aparição famosa, ele vai ao tribunal do júri e faz um discurso mercurial: “Que esta revolução escape da maldição de Saturno. E que é a maldição de Saturno? É o dito clássico, o refrão clássico de que, como Saturno, as revoluções devoram seus próprios filhos. Senhoras e senhores deste tribunal, que esta revolução não devore seus próprios filhos”. Lindo? Sim, mas era uma farsa. Naquele mesmo dia, dois jovens combatentes comunistas urbanos que não lutaram na guerrilha rural de Castro foram condenados à morte. A revolução devorava alguns de seus próprios filhos. Mas o que ficou? O discurso inflamado com referências eruditas. Funciona sempre? Não. Funciona em Cuba, que tem Fidel e algumas outras características que ajudam esse tipo de farsa a passar por verdade. Ajuda muito banir a imprensa, dominar a televisão e o rádio, proibir a entrada de jornais estrangeiros no país e impedir os cidadãos de viajar para o estrangeiro. Ajuda enjaular por tempo indeterminado, e sem juízo formado, toda a oposição. Ajuda muito abolir as liberdades individuais e ser o ditador de uma ilha, um país-cárcere. Eis a grande obra de Fidel Castro em meio século de governo. A história o absolverá? Difícil.

Divulgação
A OPORTUNIDADE
Resort da rede Meliá na ilha de Cayo Guillermo, em Cuba, proibido para cubanos: o crescimento da indústria do turismo, que recebe 2 milhões de visitantes por ano, é mérito de Raúl, que colocou militares aposentados para administrar o setor

Cuba tem um presidente, mas não uma Presidência. Fidel Castro é a revolução. Lealdade ao estado cubano é a lealdade a Fidel. Naturalmente, à medida que se aproxima o dia de seu desaparecimento, a questão da sucessão provoca tremenda incerteza e instabilidade potencial. Sobretudo porque em ditaduras personalistas a sucessão para valer geralmente só pode ocorrer depois da morte do grande cacique, mesmo que ele tenha passado muito tempo incapacitado de governar. A lenta agonia de Mao Tsé-tung e de Leonid Brej-nev congelou a China e a União Soviética por anos. O mesmo ocorre com Fidel. Em julho de 2006, sabendo-se entre a vida e a morte, ele foi forçado a delegar ao irmão, Raúl, o título de presidente em caráter provisório. O anúncio de que não mais voltará ao cargo ocorreu seis dias antes de a Assembléia Nacional aprovar o novo Conselho de Estado e seu presidente (o mais graduado título de Fidel desde que o Conselho foi estabelecido, em 1976). É quase certo que Raúl será confirmado no cargo. Mas os camaradas podem optar por um homem mais jovem, o vice-presidente Carlos Lage, 56 anos, de forma a evitar a necessidade de nova sucessão em curto prazo, já que Raúl está com 76 anos. É bem possível que Lage se torne, por enquanto, o número 2 de Cuba, o lugar até agora ocupado pelo primeiro-irmão. Toda a movimentação, no final das contas, faz parte do jogo de paciência. Enquanto estiver neste mundo, Fidel continuará a ser a voz forte nas decisões estratégicas.

AFP
O DESESPERO
Cubanos fogem para os Estados Unidos em um caminhão da década de 50 transformado em balsa, em 2003: 78 000 pessoas morreram na tentativa da travessia

O que será de Cuba depois que Fidel for se encontrar com Marx no céu dos comunistas? O regime cubano, da forma como nós o conhecemos, não pode sobreviver a seu criador. No dia seguinte ao funeral do “comandante-en-jefe”, tudo parecerá no mesmo lugar – o Partido Comunista, a polícia política, os ministérios, a camarilha dirigente –, mas essa estrutura terá a consistência de um painel cenográfico. Fidel Castro liderou uma revolução cara à imaginação da esquerda latino-americana. Sobreviveu à inimizade dos Estados Unidos, lutou na linha de frente da Guerra Fria e, seu feito mais notável, sobreviveu ao colapso do patrono soviético. No curso dessa carreira, ele pegou uma ilha caribenha, cujo destino natural era a irrelevância, e a colocou no centro das preocupações internacionais. Não há ninguém com o currículo e o talento necessários para ocupar o posto de comandante-em-chefe e ser levado a sério pela população da ilha. Dois terços dos 11 milhões de cubanos nasceram depois de 1959 e não conheceram outro líder exceto Fidel. “Nos livros escolares, Fidel é enaltecido como o grande pai, aquele que trabalha dia e noite para proteger os cubanos”, disse a VEJA o historiador argentino Carlos Malamud, do Instituto Real Elcano, em Madri.

Raúl ganha o cargo, mas falta-lhe o carisma necessário para ocupar o papel de pai da pátria que seu irmão encarna. A ilha foi submetida a um processo traumático por meio século. Fidel derrubou um sargento ignorante e corrupto, detestado pelos cubanos e desprezado pelo mundo. Não fez isso apenas com seu grupo de guerrilheiros barbudos em Sierra Maestra. A revolução cubana foi produto da vontade de uma frente ampla de estudantes, partidos políticos, organizações profissionais e contou com o entusiasmo da população cubana. O objetivo capaz de aglutinar toda essa gente era a restauração da constituição democrática de 1940, rasgada pelo ditador Fulgencio Batista. Fidel traiu todos eles. No fim de 1959, já tinha iniciado a repressão política. Dois anos depois, aproveitou-se das rivalidades da Guerra Fria para instalar o comunismo e se tornar cliente da União Soviética. Fuzilou antigos aliados, destroçou famílias e arruinou as esperanças de duas gerações de cubanos.

Quem pôde fugiu. Há 2 milhões de exilados – um em cada seis cubanos vive no exterior, uma proporção de exilados maior que a existente no Afeganistão, país devastado por trinta anos de guerra civil. O governo de Fidel Castro é agente do maior fracasso material da história das ditaduras latino-americanas. O comunismo foi formalmente estabelecido em abril de 1961. A economia planificada foi um desastre imediato. O racionamento de alimentos, que ainda persiste, começou no ano seguinte. O salário médio de um trabalhador cubano equivale a 10 dólares. A produtividade dos canaviais de Cuba, que já foi o maior produtor mundial, hoje é de 27.800 quilos por hectare, um índice baixíssimo. No Brasil, é de 73 900 quilos.

Cuba não teria sido o que foi nos últimos 49 anos se não fosse Fidel e, pelo mesmo motivo, está fadada a mudar com ele fora do poder. Não é fácil, pois a receita do desastre econômico está no coração do sistema político. Fidel jamais pretendeu estabelecer uma economia socialista com padrão mínimo de racionalidade e produtividade, como tentaram os comunistas do Leste Europeu – ou como os chineses e os vietnamitas estão fazendo agora. Mercado e instituições são anátemas em sua ideologia. Em lugar disso, o comandante-em-chefe apostava na mobilização em massa a pretexto de defender a pátria e no esforço incondicional daqueles que lhe eram fiéis. O próprio Partido Comunista foi, durante bastante tempo, mero coadjuvante. Há mais de dez anos não realiza um congresso. Ele sempre se recusou totalmente a implantar as políticas macroeconômicas necessárias para aumentar o PIB e a produtividade, criar empregos, salários reais e, até mesmo, aumentar a arrecadação de imposto. Incapaz de produzir riqueza, Fidel só podia oferecer aos cubanos uma divisão mais ou menos equitativa da pobreza. Por muito tempo conseguiu convencê-los de que isso era uma virtude socialista.

AFP
NOVO PATROCÍNIO
O presidente Hugo Chávez, ao lado de Raúl Castro, entrega um quadro de presente a Fidel, em visita ao ditador doente em agosto de 2006: o venezuelano ajuda Cuba com petróleo subsidiado em troca de médicos e professores cubanos que trabalham na Venezuela. Raúl não vê com bons olhos a influência de Chávez sobre Cuba, mas não tem muita opção

Não é de surpreender que essa situação tenha dado origem a um mundo bipolar, o da dupla moralidade. Em público, os cubanos apóiam o comandante-em-chefe e o regime e defendem objetivos socialistas. Em particular, engajam-se em atividades ilegais, compram e vendem no mercado negro e planejam deixar o país. O fenômeno foi reconhecido pelo Partido Comunista na década de 90, mas este não conseguiu eliminá-lo ou não se esforçou para isso. Alegres apesar das agruras de um país aos pedaços, os cubanos são uma fonte inesgotável de piadas sobre as mazelas do regime. Um exemplo: na escola, perguntam ao menino quais são as três grandes conquistas da revolução. Ele responde prontamente que são a educação, a saúde e a seguridade social. Provocativa, a professora quer saber quais são os três defeitos. O aluno também os tem na ponta da língua: café-da-manhã, almoço e jantar. Visto de uma perspectiva egoística, o modo de governar adotado por Fidel foi um sucesso para ele próprio. Nenhum outro ditador de sua época permaneceu tanto tempo no poder. Ele sobreviveu à hostilidade de dez presidentes americanos. “Sem Fidel Castro, o regime cubano teria acabado junto com a União Soviética, quase vinte anos atrás”, disse a VEJA a socióloga cubana Marifeli Pérez-Stable, vice-presidente do Diálogo Interamericano, um centro de análises políticas em Washington. Por outro lado, o estilo castrista é um problema para seus sucessores. Ninguém pode governar como Fidel governou, e não há acordo entre os camaradas sobre o melhor caminho a adotar.

Ela não vê perspectiva de democracia em Cuba em futuro próximo e também não está certa de que condições favoráveis à transição possam emergir a curto prazo. Na sua opinião, há quatro cenários possíveis para o futuro de Cuba.

• O primeiro é o desejado por Raúl Castro e muitos camaradas do Partido Comunista. Sem a presença de Fidel, seus membros poderiam enfim colocar em prática as reformas econômicas, copiando algumas medidas favoráveis ao mercado adotadas na China ou no Vietnã e mantendo intacta a estrutura política. Apesar de o partido conservar o monopólio do poder, haveria bastante liberdade econômica. Se der tudo certo, café-da-manhã, almoço e jantar deixarão de ser um problema para os cubanos.

• O segundo cenário é o almejado pelos cubanos exilados nos Estados Unidos. Com a saída de Fidel e uma ligeira abertura econômica, seu sucessor daria início à transição democrática. Novos nomes de dentro do regime e da sociedade civil ganhariam projeção política e começariam a pressionar o governo e a população não se daria por satisfeita apenas com a melhoria da qualidade de vida. Os sucessores de Fidel decidem não recorrer à repressão em massa, o que abre caminho para o estabelecimento da democracia a médio prazo.

• Uma terceira possibilidade seria que as reformas econômicas levadas a cabo pelos sucessores de Fidel se revelem lentas em produzir resultados. A população perde a paciência e protestos explodem nas cidades. A linha-dura propõe usar a força, mas os reformistas preferem negociar. Convocam um diálogo nacional e a transição para a democracia ocorre em ritmo acelerado.

• O último cenário é o mais caótico. O sucessor de Fidel é cauteloso desde o início, com medo de perder o controle. Não há abertura política ou econômica. Protestos populares espalham-se pela ilha. O Exército é chamado, cubanos fogem em massa para a Flórida. Uma intervenção americana ou de forças de paz da ONU não estaria fora de cogitação.

Depois de perder a mesada soviética, a economia cubana encolheu 35% entre 1989 e 1993. Muita gente esperou que Fidel fosse engolido pela queda do Muro de Berlim. Ele respondeu declarando um “período especial”, com medidas austeras e reformas tímidas, mas pragmáticas. Sob o comando de Raúl e Lages, foram permitidas a abertura de restaurantes familiares, feiras livres para complementar a escassa ração oficial e a circulação de dólares. Também foram encorajados o turismo e os investimentos estrangeiros, principalmente em hotéis, minas de níquel e exploração de petróleo. O resultado foi que algumas pessoas melhoraram de vida. Fidel viu nisso uma afronta ao sacrossanto princípio da igualdade revolucionário. Em 1996, ele deu marcha a ré nas reformas. O investimento estrangeiro tornou-se mais seletivo. A repressão política intensificou-se e culminou com a prisão de 75 dissidentes em 2003, na maioria condenados a longas penas de prisão.

Hugo Chávez substituiu a União Soviética como provedor. Ele manda 92.000 barris diários a preços subsidiados para Cuba. Nos últimos dois anos, ajudou com 2,3 bilhões de dólares. Graças a Chávez, os cortes de energia elétrica tornaram-se raros. A China também ofereceu crédito farto. No momento, Cuba está trocando sua frota de ônibus e caminhões por veículos pesados. Para completar, o preço internacional do níquel subiu. Nada disso teve reflexo significativo no bolso dos cubanos. O salário médio é de 265 pesos, o equivalente a 10 dólares. Um médico pode ganhar 700 pesos. É o suficiente para comprar uma dúzia de frangos – se é que alguém viveria apenas de comer frangos. Raúl não é um reformista nem um democrata. É comunista desde a adolescência. Mas, ao contrário de Fidel, não tem uma visão ideológica dos problemas sociais. Pragmático, percebeu que o regime não sobrevive sem reformas econômicas e vê com admiração o sucesso da experiência chinesa. Desde 1959 ele dirige as Forças Armadas, instituição que, dentro do caos geral de que padece o país, funciona razoavelmente bem. O Exército transformou-se no pioneiro do capitalismo cubano, investindo na agricultura, no turismo e na indústria. Raúl cuida pessoalmente do turismo. Com 300 praias de areia branca e mar transparente, a ilha atrai 2 milhões de turistas por ano. Se o irmão morrer, ele estará livre para tentar um comunismo à chinesa no Caribe.

O desafio de suceder a Fidel é grande. O regime perdeu a lealdade dos jovens. Num encontro recente, transmitido pela televisão, dois jovens universitários colocaram Ricardo Alarcón, o presidente da Assembléia Nacional, numa saia-justíssima. Eles fizeram isso com umas poucas perguntas básicas:

• Por que os cubanos não podem viajar para fora do país?

• Por que os produtos de consumo são cobrados em pesos conversíveis, que têm seu valor atrelado ao dólar, se os trabalhadores cubanos recebem em pesos normais, que não valem quase nada?

• Por que os cubanos não podem freqüentar os hotéis e os restaurantes abertos só para turistas?

• Que sentido faz realizar eleições para a Assembléia Nacional se os eleitores desconhecem totalmente quem são os candidatos?

É compreensível que Alarcón não tenha conseguido articular respostas inteligíveis. A verdadeira resposta veio dias depois. Os jovens foram forçados a se retratar diante das câmeras da televisão oficial.

Nesse quadro tormentoso, surpreende como ainda se repete que “é preciso preservar as conquistas da revolução”. O mito propagandista sugere que Fidel tomou o poder em Uganda e agora o está devolvendo na Suíça. Na verdade, os indicadores sociais cubanos pré-Fidel eram excelentes nos quesitos educação e saúde. A contribuição castrista consiste sobretudo na destruição da infra-estrutura física e humana da ilha, que já foi rica em escritores, artistas e músicos e hoje é um deserto de idéias. O motivo da tolerância existente em relação a Cuba é de difícil explicação. O ensaísta argentino Mariano Grondona atribui esse fascínio pelo ditador caribenho ao realismo fantástico que domina não apenas na literatura, mas também no campo minado da política latino-americana. Esse pensamento se traduz basicamente pela crença de que nossos fracassos não são produto de nossos erros, mas uma conseqüência de algo maior, a opressão americana. Seria a utopia cubana como uma terra a salvo dos americanos que entusiasma políticos e intelectuais que, em sua própria terra, fazem questão de viver num regime democrático.

Gregorio Marrero/AP
Adalberto Roque/AFP
O NÚMERO 2
Entre os políticos cotados para assumir o poder, Carlos Lage é a segunda opção,depois de Raúl. À direita, o chanceler Felipe Perez Roque, um comunista ortodoxo

Os índices sociais de Cuba são razoáveis para uma ilha do Caribe. O país não reproduz os altos índices de criminalidade da vizinha Jamaica ou a pobreza abjeta do Haiti. Sem Fidel talvez o país fosse socialmente mais desigual. Mas implantar uma realidade de zoológico – ou seja, aquela em que todos têm comida, escola e saúde, mas vive enjaulado – não paga o preço do atraso, da falta de liberdade e da pequenez intelectual. Sobretudo por ser falsa a existência de uma dicotomia entre democracia e justiça social. A Costa Rica desfruta uma posição melhor que a de Cuba no IDH, sem ter para isso abolido as eleições livres, prendido opositores ou impedido seus cidadãos de viajar para o exterior. Entre os mitos mais divulgados por Havana está o de que a pobreza cubana é uma conseqüência direta do embargo comercial decretado pelos Estados Unidos nos anos 60. Trata-se de uma balela, visto que o restante do mundo está ávido por negociar com Cuba. O próprio embargo não é tão fechado quanto parece. Os cubanos compram 500 milhões de dólares em alimentos e remédios americanos. Outro 1 bilhão de dólares, uma das três maiores fontes de renda da ilha, é enviado pelos cubanos que vivem nos Estados Unidos a seus parentes em Cuba.

Muitos políticos americanos acreditam que o embargo é contraproducente e fornece uma desculpa para o fracasso econômico e social de Fidel Castro. Melhor seria revogá-lo e afogar o regime comunista num banho de dólares. Não é má idéia. Mas há razões para tanta hostilidade. O embargo foi uma resposta direta ao confisco de propriedades americanas no valor de 2 bilhões de dólares no início da revolução. Além do mais, é bom lembrar, num momento de absoluto fanatismo, Fidel tentou deflagrar a III Guerra Mundial. Em 1962, ele conseguiu que Nikita Kruchev instalasse mísseis nucleares em Cuba. Nos treze dias febris que se seguiram, a humanidade esteve perto da aniquilação. Por fim, Moscou aceitou retirar o armamento em troca da promessa de que a ilha não seria invadida. Sabe-se que Fidel tentou empurrar a União Soviética a levar o confronto até o limite do inimaginável. Assustados com a gravidade do que tinham vivido, John Kennedy e Kruchev deram início ao processo de coexistência pacífica entre as superpotências. Vamos ver a figura por este ângulo: Fidel Castro é um sobrevivente daqueles tempos tenebrosos. Já vai tarde.


“O castrismo acabou”

Enrique de La Osa/Reuters
Palacios em Havana, um mês antes de partir para Madri: tortura


O dissidente cubano Héctor Palacios Ruiz considera o afastamento de Fidel Castro um alívio para a população, mas duvida que seu substituto consiga manter-se no poder, exceto pela força. “De toda forma, qualquer um é melhor que Fidel”, diz o sociólogo de 64 anos. Preso em 2003 e condenado a 25 anos de cadeia por sua atividade oposicionista, ele foi solto no fim de 2006, em caráter condicional, para tratar da saúde. De Madri, onde está cuidando das doenças adquiridas na cadeia, Palacios concedeu ao repórter Thomaz Favaro a seguinte entrevista.

Raúl Castro pode ser melhor para Cuba que seu irmão, Fidel?
Qualquer um é melhor neste momento. Fidel Castro é um homem apegado ao poder, obstinado em evitar mudanças substanciais em Cuba. A falta de mudanças é o que de pior pode acontecer, pois os problemas econômicos e sociais do país são gravíssimos. Não creio, contudo, que Raúl consiga ser o dirigente de Cuba. Ele não tem força política suficiente nem o carisma necessário para isso. Raúl pode tentar governar pela força, apontando a pistola para a população cubana, mas por pouco tempo. O próprio Raúl já disse que Fidel é insubstituível.

Por que Fidel é insubstituível?
Fidel Castro é um político inteligente e muito hábil. Ele sempre teve todo o poder nas mãos e concentrou pessoalmente todos os cargos importantes: comandante-em-chefe, primeiro-secretário do Partido Comunista, chefe do Conselho de Ministros e presidente do Conselho de Estado. Fidel também conseguiu estabelecer uma aliança internacional com a esquerda e chegou a ser visto como o Homem do Século XX. Ele é um ícone da história. Não se pode esquecer que seu rosto e sua vontade foram onipotentes em Cuba durante as cinco décadas em que reinou. Acredito que tudo isso desaparecerá rapidamente. Note que ninguém chorou a saída de Fidel. Isso mostra como as pessoas estão cansadas do regime castrista. O castrismo desaparecerá da mesma forma que o stalinismo e o hitlerismo, movimentos que viraram fumaça depois da morte de seus criadores.

O que falta para que comecem as transformações políticas em Cuba?
As mudanças não começam nas estruturas políticas, e, sim, na população. Quando o povo está insatisfeito, pede mudanças. As transformações começam quando as pessoas percebem que o governo não tem como resolver os problemas. Isso já teve início em Cuba, mas se trata de um processo lento. Com a saída de Fidel da cena política, desaparecerão também muitos dos seus dogmas. O que temos em Cuba não é sequer socialismo ou comunismo. O regime cubano não encontra respaldo nem na teoria nem na prática comunistas. É um castrismo, terror semeado nas crianças desde que nascem para que não reajam. Fidel não deixa sucessor. Nem mesmo no Partido Comunista, que não passa de um grupo de políticos de carteirinha, mas sem ideologia. Imagine, em dez anos, como seria um Congresso cubano com essas pessoas. Não digo que será amanhã, mas falta pouco para a transição.

O sistema político atual pode sobreviver sem Fidel Castro?
A saída de Fidel nos traz um otimismo cauteloso, mas ainda restam muitas dúvidas sobre o futuro. Primeiro porque sabemos como ele atua. Enquanto tiver um sopro de vida, poucas decisões importantes poderão ser tomadas sem sua participação. Ele não renunciou ao cargo de primeiro-secretário do Partido Comunista, e na Constituição cubana está escrito que o partido é o reitor da sociedade. Portanto, Fidel continua no comando do país. Em segundo lugar, ele já demonstrou que não está disposto a tolerar mudanças no governo. E tem suficiente influência para isso.

O senhor acha que sua liberação foi um sinal de mudanças na ilha?
Eu não fui solto. Ainda sou um preso político. Estou na Espanha com licença médica para tratar das graves doenças que adquiri no cárcere. Devo 21 anos de prisão ao governo cubano. Na hora em que eles quiserem devo voltar ao cárcere, sem julgamento nem recursos. Há 250 presos políticos em Cuba, todos inocentes. Nenhuma lei diz que um homem deve ser preso pelo que pensa. A minha história é a de quase todos os opositores. Eu era um agricultor da Serra de Escambray, no centro de Cuba. Foi ali que ouvi falar de revolução pela primeira vez. Participei da guerrilha, pois estava interessado em tudo o que oferecia Fidel Castro. Depois fui me dando conta de que ele me enganava. Não tenho vergonha de ter combatido na revolução. Lutei para implantar a democracia, o que faço até hoje.

Quais são os problemas de saúde que o senhor enfrenta?
Tive um colapso do sistema circulatório da cintura para baixo, fruto de dois anos vivendo em celas “tapeadas”, como são chamadas. São cubículos muito baixos, fechados com placas de aço. Sem luz nem ventilação, o interior da cela atinge temperaturas entre 45 e 55 graus. As condições de higiene são terríveis. Isso afetou também meu sistema respiratório. Hoje tenho metade da capacidade respiratória normal. Devido a todos esses fatores, minha pressão arterial é altíssima. Recentemente sofri um ataque isquêmico transitório, por falta de oxigenação no cérebro, e caí. Dito isso, espero que você não me pergunte se há tortura em Cuba. Meu caso serve como resposta. Liberaram-me para morrer.

Por que os Estados Unidos insistem em manter o embargo a Cuba?
O governo americano cometeu efetivamente muitos erros. A invasão da Baía dos Porcos, em 1961, foi um dos piores. Outro engano incalculável foi ter cortado a cota açucareira de Cuba em 1960, pois isso permitiu a aproximação da União Soviética. Tudo isso ajudou Fidel Castro. O embargo econômico a Cuba não é significativo, pois os Estados Unidos são um dos maiores parceiros comerciais da ilha. Cuba importa dos americanos quase 500 milhões de dólares por ano. As compras incluem produtos agrícolas, subsidiados, que são revendidos por um preço muito mais alto no país. Os Estados Unidos são um grande negócio para Cuba, mas na cabeça das pessoas persiste a idéia de que há um boicote. Ou seja, o embargo americano só dá mais força a Fidel. O verdadeiro embargo é o do governo ao povo cubano. Quem pode imaginar que neste século, na América, onde todos já lutaram pela democracia, possa ainda existir um sistema de partido único?

Com reportagem de Alexandre Salvador,
Duda Teixeira, Thomaz Favaro e Vanessa Vieira

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CNN y castro

Posted by Ricardo en 20 febrero 2008 11:37

En Venezuela, aún hay idiotas -chavistas, la gran mayoría- que creen que la cadena CNN es “conspiradora” y “golpista”, una “herramienta del imperio” en palabras del líder máximo, hugo chávez. Gracias a la estrategia de hegemonía comunicacional chavista, creen que la cadena sigue la pauta de GeorgeW. Bush. Esto puede parecer gracioso para el no-chavista, pero es la verdad.

Pues bien, vean un email interno que fue enviado a las anclas del noticiero de CNN en Atlanta, por una tal Allison Flexner, del escritorio de noticias internacionales:

From: Flexner, Allison
Sent: Tuesday, February 19, 2008 7:46 AM
To: *CNN Superdesk (TBS)
Cc: Neill, Morgan; Darlington, Shasta
Subject: Castro guidance

Some points on Castro – for adding to our anchor reads/reporting:

* Please say in our reporting that Castro stepped down in a letter he wrote to Granma (the communist party daily), as opposed to in a letter attributed to Fidel Castro. We have no reason to doubt he wrote his resignation letter, he has penned numerous articles over the past year and a half.

* Please note Fidel did bring social reforms to Cuba – namely free education and universal health care, and racial integration. in addition to being criticized for oppressing human rights and freedom of speech.

* Also the Cuban government blames a lot of Cuba’s economic problems on the US embargo, and while that has caused some difficulties, (far less so than the collapse of the Soviet Union) the bulk of Cuba’s economic problems are due to Cuba’s failed economic polices. Some analysts would say the US embargo was a benefit to Castro politically – something to blame problems on, by what the Cubans call “the imperialist,” meddling in their affairs.

* While despised by some, he is seen as a revolutionary hero, especially with leftist in Latin America, for standing up to the United States.

Any questions, please call the international desk.

Allison

Resumiendo: Sean amables con castro.

Hat tip: Babalu.

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lula visita al muerto-vivo

Posted by Ricardo en 16 noviembre 2007 15:04

Comentario de Jose Simão, humorista brasileño:

“Los médicos forenses examinaron a fidel y dijeron que está bien para la visita de lula”.

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Cuba: MercadoNoTanLibre.com

Posted by Ricardo en 6 septiembre 2007 20:15

En Cuba, modelo del dictador venezolano, no se le permite el acceso a internet a todo aquel que no tenga contactos o no sea miembro del “partido”. Sin embargo, como cuenta The Real Cuba, un pequeño mercado virtual ha florecido en internet, contrariando las leyes cubanas que restringen transacciones comerciales entre individuos.

En la sección “Náutica” se ofrece el medio de salida del infierno, que incluye regalito con FPS:

Vendo balsa. De llanta pneumatica; equipada con GPS apuntado a la Yuma. Capacidad 2 balseros y sus valisas. Tiene motor de baterias. Incluidos 2 botellas de crema contra la quemadura de sol. Rafael Corneta La Habana [contactar] 10-08-2007

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Cubanos salen corriendo de Rio

Posted by Ricardo en 30 julio 2007 13:49

No, no es el resultado de otra ola de violencia carioca. Es el miedo a que se escapen los demás:

RIO DE JANEIRO.- Los deportistas cubanos protagonizaron una salida precipitada de los Juegos Panamericanos de Río de Janeiro, en Brasil, en medio de aparentes temores de una deserción masiva.

La delegación isleña fue trasladada a la carrera al aeropuerto de esa ciudad sin siquiera dar tiempo a que los integrantes de la selección de voleibol masculino se presentara a recibir sus medallas de bronce.
Se estima que los atletas fueron conminados a abandonar los juegos antes de la ceremonia de clausura de este domingo luego de la deserción de cuatro deportistas.

Los Juegos Panamericanos, que tienen lugar cada cuatro años, constituyen uno de los más importantes eventos deportivos regionales, y Cuba ha figurado, una vez más, entre los más importantes contendientes.
En la tabla de medallistas, Cuba figura en segunda posición luego de los Estados Unidos.
Entre los últimos triunfos cubanos estuvo el logro de la medalla de bronce de voleibol al derrotar 3-2 a Venezuela en la tarde del sábado.

Sin embargo, los atletas estuvieron ausentes en la entrega de las preseas, y se les vio partiendo apresuradamente del aeropuerto internacional de Río de Janeiro después de que supuestamente se les ordenara regresar a su país de forma intempestiva.

El porqué no está claro, pero el hecho ocurre luego de que la delegación sufriera las deserciones del defensor de la selección de balonmano Rafael D’Acosta Capote, el entrenador de gimnasia artística Lázaro Lamelas y los boxeadores Guillermo Rigondeaux y Erislandy Lara.
Tal fue la prisa con que los deportistas abandonaron Brasil que se estima que algunos de ellos tuvieron dificultades en encontrar sus equipajes.

El barbudo asesino dice que lo que sucedió fue un robo de talentos. Nada sobre el robo de la libertad que los atletas sufren cada dia. En Veja de esta semana, un artículo sobre la deserción de los atletas:

A vitória da liberdade

No Pan-Americano, mais uma vez
Cuba deu um show em deserções


Ronaldo França

Al Bello/Getty Images
Rigondeaux: fuga antes da medalha e um futuro milionário na Alemanha, onde a academia já o anuncia como grande sensação

O desempenho da equipe cubana presente aos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro ficou acima do esperado na modalidade “deserção”. Nos Jogos de Winnipeg, em 1999, treze atletas escaparam, mas nenhum deles tinha a importância do boxeador Guillermo Rigondeaux Ortiz, bicampeão olímpico e mundial. Estrela internacional, ele era, até cair fora, motivo de orgulho do regime ditatorial de Fidel Castro. Rigo, como é chamado em seu país, foi um dos quatro cubanos que fugiram no Rio, logo nos primeiros dias dos Jogos. Os outros três foram o também boxeador Erislandy Lara, campeão mundial dos meios-médios, o jogador de handebol Rafael Capote e o técnico de ginástica artística Lázaro Lamelas. Aos 26 anos, invicto há 104 lutas, Rigondeaux era o que se pode considerar uma celebridade em Havana. Como todos os atletas de alto nível, desfrutava “regalias” em meio à penúria em que todos os cubanos são forçados a viver. Tinha direito a um carro e uma cota de gasolina acima dos 25 litros mensais (quantidade insuficiente, note-se, para viajar entre Rio e São Paulo até no mais econômico dos automóveis). Além disso, dispunha de telefone, um emprego na burocracia estatal e uma cesta de alimentos que incluía leite, carnes e frutas. Para os padrões cubanos, Rigondeaux levava um vidão.

Ao pular fora da equipe, ao fim da primeira semana dos Jogos, ele sumiu de vista. A primeira notícia de seu paradeiro surgiu na quinta-feira, quando a academia Arena Box Promotion, de Hamburgo, na Alemanha, estampou sua foto no site, para anunciar que ele e seu colega de fuga são seus mais novos atletas. “Teremos muito orgulho em recebê-los. Rigondeaux vai disputar pelo menos doze lutas por nossa academia e ganhará, em cada uma delas, muitos milhões de dólares”, afirma o dono da academia Arena, o ex-boxeador alemão Ahmet Öner, em férias em Palma de Maiorca, na Espanha. Öner admitiu a VEJA que financiou toda a operação de fuga dos atletas cubanos, o que incluiu a contratação de advogados – entre eles, claro, um cubano residente em Miami, chamado Tony Gonzalez. Öner afirma que pagou 800 000 dólares a Rigondeaux e aos encarregados da operação, valor que não inclui as despesas com aluguel de avião e todo o aparato necessário para ludibriar as autoridades cubanas e brasileiras.

Juventud Rebelde/AP
Reprodução TV
Capote: hasta la vista, Fidel

Já abalados por um desempenho abaixo do esperado no quadro de medalhas, os dirigentes ficaram ainda mais estressados com as deserções. Fidel Castro espumou de raiva. O ditador emitiu uma nota oficial em que chamou os fujões de “traidores”. Öner já havia levado outras três estrelas do boxe cubano, no fim do ano passado, durante um torneio na Venezuela. Entre eles, o peso pesado Odlanier Solís, considerado o sucessor dos lendários boxeadores Teófilo Stevenson e Félix Savón. Desde o fim da União Soviética, em 1991, quando o governo cubano perdeu a principal fonte de financiamento, as deserções de atletas se intensificaram. Pelo menos oitenta deles escaparam, a maioria durante competições internacionais. A fim de evitar as fugas, os agentes de segurança cubanos mantêm uma vigilância cerrada sobre os atletas. Na Vila Olímpica montada no Rio de Janeiro, a liberdade dos atletas cubanos era apenas aparente. Para conseguir escapar, o jogador de handebol Rafael Capote teve de margear os limites da vila até encontrar uma brecha de meio metro entre dois muros. Ele fugiu correndo por mais de uma hora, para depois tomar um táxi para São Paulo.

Entre uma fuga e outra, a delegação cubana no Pan-Americano liberou o seu espírito capitalista. É comum entre atletas que participam de eventos internacionais a troca de uniformes e a venda de um e outro produto, para reforçar o orçamento apertado de estudante. Mas os cubanos se destacaram pela avidez com que se entregaram a esse comércio. Sua principal mercadoria eram os charutos. Eles preferiam receber o pagamento em dinheiro, mas aceitavam alegremente o escambo quando se tratava de equipamentos eletrônicos. No Rio, o que esteve em alta foram os aparelhos de DVD portáteis. Outro objeto do desejo cubano eram os perfumes, de qualquer marca. E aí valia frasco aberto, mesmo que usado e quase no final. O produto é raro e caro na ilha, onde não se encontra nada que não seja o básico. Os cubanos também aproveitaram para tirar a barriga da miséria. “Em vez de tranqüilidade, os dirigentes cubanos priorizaram a proximidade do restaurante na hora de escolher os apartamentos em que iriam ficar na vila. Os atletas entravam e saíam o tempo todo do restaurante”, disse a VEJA um veterano de competições olímpicas envolvido na organização.

A penúria cubana é velha conhecida, mas há episódios que chegam às raias do absurdo. Graças a suas vitórias olímpicas, o corredor Alberto Juantorena ganhou um carro de presente de Fidel Castro. Oito anos depois, contudo, ele não conseguia trocar os pneus do automóvel. Eram artigos inexistentes na ilha. Durante uma turnê internacional, Juantorena aproveitou para comprar o jogo de que precisava no Japão. Ele contrabandeou os pneus para casa nas próprias malas e na bagagem de amigos. Com histórias assim, de fugas e aviltamento dos direitos individuais, a ditadura cubana segue derrapando, cada vez mais desgastada e careca.

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Abasto Panamericano

Posted by Ricardo en 25 julio 2007 16:40

Parece que ni siquiera los atletas de punta tienen acceso a los más básicos artículos en la isla-prisión, cuyo sistema político-social es elogiado por el dictador venezolano:

Sábanas, toallas, almohadas, bombillos y lámparas de mesa fueron masivamente saqueados de las habitaciones que los atletas cubanos ocuparon en la Villa Olímpica de Río de Janeiro. Los faltantes comenzaron a percibirse por el personal de limpieza y mantenimiento en las últimas horas, cuando los primeros contingentes de cubanos salieron de la Villa de vuelta a su país. Otros reportes hablaron de daños en las habitaciones, especialmente en los muebles, pero el Comité Organizador prefirió no dar detalles al respecto. Lo cierto es que los cubanos fueron los reyes de la polémica en estos juegos, además de los hurtos: hubo tánganas, mucha animación y sexo en las horas libres (según comentarios de otros atletas a la prensa local) y deserciones que hicieron comentar a la judoca brasileña Danielle Zangrando que “los atletas cubanos son muy buenos; todos podrían desertar y quedarse a vivir en Brasil. Aquí les conseguimos un lugar para que se queden”, prometió entre risas.

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Bonnie Anderson: fidel castro has yet to face justice

Posted by Ricardo en 4 diciembre 2006 22:08

Desgarrador artículo de Bonnie Anderson en el Miami Herald. Si usted entiende inglés, no deje de leerlo (hat tip: Babalu):

It is deeply wrenching to witness a week of lavish celebrations honoring Fidel Castro’s birth when most likely every day, somewhere in the world, anguished families quietly mourn the death of a loved one at the hands of this heartless, evil man.

That Fidel, himself, may be dying is not much comfort to me. I believe in justice and while he will be judged by God when he dies, he has yet to be judged on Earth for his crimes against humanity.

My father, Howard F. Anderson, was only one of 20,000 people tortured and executed by Fidel Castro. Before my Dad’s execution by firing squad, he had most of his blood drained from his body to be used for transfusions for the revolutionary troops. Other political prisoners who watched the execution from their cells told me years later that my father refused a blindfold. And he whistled as the bullets tore into his body. One of the few memories I have, since I was only 5 years old at the time, was that my Dad whistled when he was angry.

With the ”ready, aim, fire” order, I, too, was wounded forever more. This ruthless dictator robbed me of a lifetime with my father, a lifetime of fatherly advice, a lifetime of memories.

So no, I don’t want to see him die this way, of natural causes, or at this time. I have always hoped the world would recognize him for what he is and that Fidel Castro would be judged, convicted and sentenced for his crimes against humanity in an international court of law.

A death from old age is far, far too lenient a punishment for a man who has killed so many people, destroyed the lives of literally millions. As a journalist, I refrain from generalities. But I do believe there are few Cubans on the island and even fewer Cuban exiles who have not had a family member either executed or imprisoned by this megalomaniac.

What I fail to understand is why there seems to be little national compassion for the pain that Cuban exiles have experienced. Americans show compassion for cancer survivors, for DUI and rape victims, for people suffering from depression, physical and mental abuse. We show compassion for famine victims in Africa; as an NBC news correspondent, I broke stories about genocide in Ethiopia, and the world — but especially the United States — responded with millions of dollars of money, but most important, with compassion.

Organizations have sprung up to defend and champion the victims of all these issues, and rightly so. There is public acceptance that these people have suffered and have been wronged. It is morally right.

So why, I ask, are Cuban exiles not afforded the same support and compassion? I was a CNN network executive when the Elián González issue was a major story. I was horrified by the coverage by my network and all others. It pained me deeply to see sound-bites by people who said about the Cuban-Americans in this country, ”Why don’t they just get over it? It happened so long ago.” I spoke up to my superiors at CNN. And I’m no longer there.

What I told them was this: Would anyone dare tell a Holocaust survivor, or the sons, daughters and grandchildren of the Holocaust to ”just forget about it” because it happened so long ago? Of course not. Castro did not kill as many as Hitler did, and I would never diminish the horror and huge dimensions of the Holocaust, but Castro was — and is — our Hitler in Latin America.

BORN IN CUBA

Despite my Anglo name, I was born in Cuba. My mother was born there. Her parents are buried there. My father was buried there until Castro was so ticked off by an article I wrote in 1978 as a Miami Herald reporter that he had my father’s remains dug up and thrown out.

I am most proud of being Cuban American. And I want the rest of the world to understand our pain. It is part of our daily lives, no matter where we live. It is the ache of losing a country, but it is more than that, too. It is a loss we feel in our blood and in our bones. It is also clearly an emotional demise in many ways — a void in our pasts which continues to the present and will continue through the future. You can’t make up for years of lost family experiences — normal, human experiences that most other people enjoy. These are memories that have been stolen for all time.

For myself, I have only two memories of my father and what saddens me is that I can’t be absolutely certain that they truly are recollections or whether I’ve simply grasped onto scenes from the few home movies we managed to smuggle out of Cuba and morphed them into memories. When I think of this, it provokes a deep, dark cutting sadness in me.

Cuban exiles can’t expect others who have not experienced what we have to actually know our pain and understand our passion for wanting to address the wrongs done us. Rape victims can’t expect that. Neither can the parents of children who have been killed by drunk drivers, or family members who have lost loved ones in the current Iraq conflict. Or family members of the victims of Columbine, or 9/11. The people who survived the genocide in Ethiopia and in so many other places can’t expect anyone to truly know their pain.

Our pain is part of our spirit. The most we can hope for is compassion.

The day that Castro’s illness was first reported, I woke up very early and was watching CBS. On their early morning shows, they repeatedly said that ”Castro is considered a ruthless dictator by some in Miami.” I fired off an e-mail to CBS President Sean McManus. What I wrote, in short, was this: If a man who murdered 20,000 people, imprisoned for decades hundreds of thousands of others, caused countless hundreds of thousands to flee the country (many losing their lives in desperate attempts to reach freedom on flimsy rafts) and has repressed a nation for nearly five decades — denying them the most basic of human rights — is not considered a ruthless dictator by all, who the hell is?

I haven’t heard back from him. I don’t expect I will. In fact, I suspect he, and other network executives, will continue to cozy up to the Cuban government (whoever leads it) in order to make sure that when Castro dies, their networks have access to the coverage. That’s the way it is in the corporate news world.

But I have faith in my fellow American citizens. And I know, in my heart and spirit, that when the truth is known, those of us who have suffered at the hands of Fidel Castro will finally receive the compassion we are due.

IN MOURNING

While Fidel is celebrating a birthday, my brothers, sister and I are mourning the death not only of our father but also of our mother, Dorothy Stauber Anderson McCarthy, who died less than two months ago. She was 39 years old when Fidel made her a widow. She struggled to raise us and give us a new life, and she was most successful. But her greatest triumph was to instill a sense of right and honor in us, to teach us strength and morality.

A month after her death, a New York judge ruled that we should receive millions of dollars of the frozen Cuban assets held in this country because of Fidel Castro’s murder of my father. It is a very welcome decision but very bittersweet. Fidel Castro is alive and he knows he has been tried, convicted and sentenced to pay for his heinous act. But the fact that my mother isn’t alive to see this final measure of justice is a soul-deep wound that I will live with for the rest of my life.

I weep for her. I weep for us, and I weep for all who have been the victims of Fidel Castro.

Happy Birthday? Please.

Bonnie M. Anderson is a 27-year veteran of print, radio, Internet and television journalism in English and in Spanish. She has worked on camera for local, national and international news organizations, including two decades with NBC News and CNN. Anderson won seven Emmy Awards, was a finalist for the Pulitzer Prize and has been nominated for the María Coors Cabot Lifetime Achievement Award, which is sponsored by Columbia University. Capt. Anderson is now following a family tradition and is running a charter fishing operation out of Culebra, Puerto Rico.

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