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Quem colocou Chávez no poder (por Jorge A. G. Rodiles)

Posted by Ricardo en 3 marzo 2004 19:02

Em várias ocasiões, muitos têm “culpado” o povo venezuelano pela eleição democrática do marionete Hugo Chávez. Nada pode ser mais injusto!

O glorioso povo venezuelano foi vítima de enganos, eles deram seus votos a alguém cuja plataforma política prometia acabar com várias décadas de corrupção. Essa foi a razão principal para que 56.2% dos votos válidos, em todos os níveis sociais, tenham visto em Chávez uma esperança para o início de uma nova era em seu belo país.

Para a maioria dos venezuelanos, Chávez tinha se transformado num herói porque, entre outras coisas, tinha aparentemente arriscado a sua vida, sem interesses pessoais, ao tentar eliminar pela força o governo de turno que foi, segundo a opinião da grande maioria dos cidadãos, tão corrupto quanto todos os governos anteriores.

Sendo a Venezuela um país de enormes recursos, a maioria dos cidadãos opinava que bastava eliminar a corrupção para alcançar uma verdadeira democracia, já que existiam excelentes leis sociais das quais desfrutavam plenamente e que superavam as de muitos países, inclusive as dos Estados Unidos da América.

Na Venezuela, aproximadamente 80% das indústrias são estatais. Entre elas, podemos mencionar a extração de petróleo, refinarias, transporte terrestre e marítimo.

Também são donos de refinarias em vários países, como a Citgo em Sulphur, Lousiana, e todas as gasolineiras Citgo nacionais; são parcialmente donos das refinarias Phillips, Liondel no Texas e talvez de outras nas proximidades de Houston, Texas; são parcialmente donos (50%) da refinaria Hess em Saint Croix nas Ilhas Virgens, cujo nome foi trocado e é presidida atualmente por um exilado cubano de Santiago de Cuba que morava no mesmo bairro que eu (foi meu colega de estudos em Cuba).

Até há pouco tempo, a refinaria de Saint Croix era a maior do mundo. Hoje, o maior complexo mundial de refinação é o de Amuay-Cardon na península de Paraguana, estado Falcon, nos povoados Amuay-Cardon na Venezuela. Na Europa tem refinarias na Holanda e na Alemanha, se me lembro bem.

Em Aruba e Curaçao, são em parte donos das refinarias da região. Há anos, tentaram comprar a refinaria localizada em Cienfuegos, Cuba. Isso foi antes de Chávez. Conheço um dos empregados de PDVSA que foi fazer a avaliação para a compra (que não foi levada a cabo). O amigo me disse que, comparada com as refinarias da Venezuela, não passava de uma cafeteira, e que estava em mau estado.

O Estado também é dono das minas e indústrias siderúrgicas de aço e alumínio, e das minas e indústrias de carvão; das plantas elétricas, inclusive as represas; das plantas hidrelétricas; dos complexos de plantas petroquímicas; de parte do turismo e do transporte aéreo.

Resumindo, a maior parte das riquezas do país está nas mãos do Estado, com as quais as entradas monetárias são enormes, em adição aos impostos sobre a renda dos cidadãos, corporações e toda sorte de negócio privado.

Tudo o que foi indicado previamente serve para nos dar uma idéia das riquezas da Venezuela e das leis sociais existentes. Logo, só faltava acabar com várias décadas de corrupção para alcançar as metas de um povo sedento de ter um governo digno e honrado. Os recursos econômicos e as leis ou medidas sociais para alcançar mais eqüidade entre os cidadãos e a elevação do bem-estar social de muitas classes sociais já existiam, mas não se cumpriam devido à corrupção dos governos.

Foi com base nessa plataforma que a população elegeu Chávez. Não havia necessidade de nenhuma revolução, pois as medidas já existiam. Só faltava acabar com a corrupção.

É por isso que, quando dizem agora que Chávez é um presidente eleito, pessoalmente estou em completo desacordo pois, mesmo que tecnicamente tenha sido dessa maneira, o povo o elegeu devido à plataforma sócio-econômica que apresentou, e que hoje é miseravelmente ultrajada.

É como o trovador que oferecia belas serenatas, promessas de amor, consideração e respeito à sua amada. Assim que ela se convence de que esse é o homem ideal em todos os aspectos, aceita contrair matrimônio baseada nas promessas e aparências do seu amado.

Mas, pouco tempo depois de casados, ele proíbe que ela saia, a agride, a insulta, a maltrata em todos os aspectos e termina por escravizá-la.

Seria possível dizer a essa vítima que foi ela quem se casou com o sujeito, que o amava e que a culpa era toda dela por ter se entregado a ele? Com certeza, não!

Se ela tivesse conhecido a verdade através de pessoas que conheciam o canalha e pela condição de outras pessoas com as quais ele se associava, não teria se casado com ele.

Seria possível condená-la por estar querendo o divórcio? Com certeza não!

Então, tecnicamente estaria casada com ele pela sua própria vontade, mas não se casou pelo que ele é na atualidade. Todos estariam de acordo com o divórcio.

Não há diferença alguma entre essa situação e o “matrimônio” do povo venezuelano, que foi miseravelmente enganado e portanto está em seu direito de “divorciar-se” do regime, utilizando qualquer meio que estiver ao seu alcance para libertar-se do tirano!

Quem colocou Chávez no poder?

Se o povo venezuelano tivesse conhecido de antemão as reais intenções do tirano, ele não teria sido eleito para a presidência do país. Isso é demonstrado pelos esforços de pelo menos 80% da população, que está lutando arduamente para tirá-lo do poder por meios democráticos. Se tais métodos fracassarem, a população estará em seu direito de recorrer a outros métodos para alcançar seus objetivos.

Mas por que o povo não conhecia as verdadeiras intenções do tirano? Há várias razões, sendo que a mais importante recai sobre todos os meios de comunicação da Venezuela e do mundo livre que não advertiram a população quanto às possíveis conseqüências da eleição de Chávez para Presidente.

Muitos talvez argumentem que os meios de comunicação também foram enganados. Correto, mas o exposto previamente, “culpando” a todos os meios de comunicação, está enfocado sob outro ponto de vista que explicarei a seguir.

Quando Chávez comandou o seu frustrado golpe de Estado, a maioria do povo venezuelano estava a favor dele. Na época, eu estava trabalhando na Venezuela e a simpatia para com ele podia ser constatada em todas as esferas sociais e econômicas.

Viam nele a única solução para os problemas de corrupção do país.

Chávez, que hoje se “queixa” tanto da possibilidade de golpes de Estado e de conspirações contra o seu governo “constitucional”, foi ele próprio um golpista e muitos inocentes foram assassinados durante a sua tentativa de golpe.

Chávez foi preso após a tentativa de golpe de Estado e durante o governo de Caldera, por causa de uma anistia a presos políticos, foi posto em liberdade. Esteve pouco tempo na prisão.

Durante o governo de Caldera, a organização do exílio cubano Fundação Cubana Americana, presidida pelo falecido Jorge Mas Canosa, solicitou à Câmara de Deputados da Venezuela uma entrevista para realizar uma reunião onde seriam discutidos temas relativos a Cuba. A entrevista foi concedida.

O tirano de Cuba enfureceu-se por causa dessa decisão. Como represália, convidou Chávez à ilha e, apesar dele não ocupar nenhum cargo público no governo, foi recebido como se fosse um alto dignatário de algum país.

Eu estava trabalhando na Venezuela na época, e comentava com os amigos do projeto e outros cidadãos: “Chávez ‘shabe’ o que está ‘fachendo’ e melhor ainda o ‘shabe’ o tirano Castro”.

Eu tentava explicar-lhes que esse convite tinha alguma coisa a ver com um possível plano do tirano de Cuba a ser aplicado futuramente na Venezuela. Todos estavam “cegos”. Não tiveram interesse em meus comentários a respeito. Chávez ainda não tinha se candidatado para a presidência.

A maioria dos cidadãos desconhecia as realidades dos crimes, atropelos e carências em Cuba. Eu organizava reuniões na minha casa e convidava muitos deles para explicar as realidades. Eu me reunia no clube da Refinaria com várias pessoas e também no meu trabalho, sempre que tinha a oportunidade. Praticamente nem me davam atenção, por delicadeza limitavam-se a “ouvir” o que eu tinha a dizer. Eu não cedia, e durante os quase quatro anos em que estive ali, fiz isso constantemente…

Alguns, em tom de burla amistosa, diziam: “olha ‘cubanito’, vocês cubanos estão meio paranóicos com o problema de Cuba e possivelmente ninguém acredita no que vocês dizem. Além disso, Cuba é Cuba e Venezuela é Venezuela, e se isso que você está nos contando for verdade, nunca acontecerá aqui porque temos petróleo e os EUA é um dos nossos melhores clientes”. Eu lhes dizia que os EUA eram o maior cliente de Cuba e mesmo assim tiveram seus bens confiscados, então que não esperassem ajuda de ninguém. Pois nenhum país faz nada por outro, apesar dos politiqueiros que dizem exatamente o contrário, a menos que a segurança nacional esteja em perigo ou que lhes afete enormemente em suas economias. Vários países têm petróleo…

Muitos venezuelanos iam a Cuba a passeio, fazer turismo, tratamentos em hospitais, participar de conferências de ciências ou de artes, etc.

No jornal de Caracas ou Macaraibo, encontravam-se anúncios para concertos de Silvio Rodríguez e a Nueva Trova, os Irakere, etc. Milhares de venezuelanos de todas as classes sociais os admiravam e assistiam aos concertos ou apresentações.

Essa era a imagem de Cuba para muitos… Desconheciam a realidade e, como é natural (ainda que não apropriado), não se importavam com os cidadãos de outros países.

O que não é natural é que a mídia dos países com liberdade NUNCA “fizeram questão” de apresentar a verdadeira cara do tirano Castro. Digo “fazer questão”, porque não se trata de dar notícias curtas de última hora que serão esquecidas poucos minutos depois. Trata-se de fazer documentários e programas de comentaristas, a ponto de que os cidadãos gravem claramente e por repetição os acontecimentos e atos repressivos dos tiranos de Cuba.

Muitos perguntarão: “mas por que deveriam fazê-lo, se não lhes dará audiência?” A pergunta é muito boa, e a resposta também o será: se o tivessem feito, Chávez não estaria no poder pois todos saberiam, desde a primeira viagem que ele tinha feito a Cuba (antes de candidatar-se), do perigo que representava tê-lo como Presidente.

Nos dias de hoje, todos os venezuelanos conhecem a fundo aquilo que deveriam ter aprendido há mais de quarenta anos. A lição veio tarde demais para prevenir os problemas atuais.

Este texto não tem como propósito culpar os meios de comunicação da Venezuela, pois desgraçadamente, nos dias de hoje, os meios de comunicação do mundo livre praticamente não mencionam nada dos problemas que acontecem por lá.

Ou seja, trata-se de todos os meios de comunicação!!! Por mais de quarenta anos, os cubanos temos visto essa postura da “imprensa livre” e, como conseqüência, praticamente ninguém conhece o nosso sofrimento da mesma forma como ninguém conhece o sofrimento do povo venezuelano com detalhes.

Assim, se Chávez está no poder, é por culpa das apatias dos meios de comunicação. Se Castro se mantém no poder, é por razões semelhantes.

Depois de mais de cinqüenta anos, ainda se fala freqüentemente do Holocausto Nazista onde milhões de inocentes perderam a vida. Por que sabemos tão bem o que aconteceu? Eles se ocuparam não de noticiar, mas de inculcar nas pessoas (e isso ainda se faz) esse episódio triste da História, para que novas gerações possam evitar que volte a acontecer.

Se os meios de comunicação tivessem feito algo semelhante conosco, não estaríamos sofrendo a situação de agora.

Somente para comprovar o que estou indicando, pergunte ao seu vizinho não-cubano ou não-venezuelano: o que esta acontecendo em Cuba ou na Venezuela?

Nem sequer aqui nos EUA têm feito esse trabalho direito… Alguns somente dizem: “não dá boa audiência”… Caramba, mas há milhares de notícias diariamente, que têm menos “audiência” e são noticiadas constantemente… Na minha opinião, o tema é muito mais profundo, e não se trata precisamente da “audiência”.

Tradução: Cláudio Téllez

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